Roteiro de 6 dias em Roma, incluindo Vaticano – Parte 2

Nessa segunda parte do roteiro continuarei com os próximos quatros dias de viagem, sendo que boa parte deles foi dedicada a conhecer a cidade do Vaticano. A primeira parte foi destinada, basicamente, para as principais atrações do centro histórico da cidade.

O terceiro dia de viagem caiu em um domingo. E aos domingos a cidade de Roma parece que fica com uma atmosfera diferente, mais austera, mais silenciosa, pois é o dia em que pontualmente ao meio-dia o Papa fala ao mundo da janela da biblioteca papal na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Andando pelas ruas e pelo metrô no domingo você observa as pessoas caminhando mais tranquilas para o mesmo destino, mesmo que seja uma multidão indo na mesma direção. Mas ainda haveria outra oportunidade mais emocionante, que foi ver o Papa Francisco a poucos metros de distância e será detalhado neste post como fazer isso!

Após 2 dias na cidade você percebe que são tantas igrejas lindas espalhadas pelo caminho que chega uma hora em que não se sabe em qual igreja está. É impossível visitar uma das inúmeras igrejas de Roma e sair de lá decepcionado!

Então vamos lá, continuar o relato dessa viagem.


Dia 3 – Igreja de San Luigi dei Francesi, Castelo Sant’Ângelo, Praça de São Pedro para o Angelus com o Papa Francisco, Museu dell’Ara Pacis e Praça de Espanha

Tivemos que sair bem cedo, pois o Angelus com o Papa, na Praça de São Pedro, começa pontualmente ao meio dia. Mas é preciso levar em consideração o deslocamento até o Vaticano, visto que as opções de transporte ficam lotadas, bem como o procedimento de segurança para ingressar na praça.

A primeira parada foi na Igreja de San Luigi dei Francesi (São Luís dos Franceses), que fica localizada bem próxima da Praça Navona e do Panteão. E a principal razão de conhecer essa igreja era simples: a possibilidade de ver gratuitamente obras genuínas de ninguém menos do que Caravaggio!

Igreja de San Luigi dei Francesi

Essa igreja abriga três obras do artista dedicadas a São Mateus, sendo elas a Vocação de Mateus, Martírio de São Mateus e São Mateus e o Anjo. São quadros que possuem valor inestimável e são visitados por milhares de pessoas todos os anos pela sua beleza e por serem extremamente realistas. Mais especificamente a obra São Mateus e o Anjo é incrível, pois retrata um anjo dialogando com Mateus enquanto este escreve o seu evangelho.

São Mateus e o Anjo, de Caravaggio

O ideal é tentar chegar logo cedo, porque no decorrer do dia vão chegando excursões que lotam o interior da igreja e dificultam visualizar as obras. Os horários de funcionamento são bastante variáveis, então pesquise no período da sua viagem para saber qual será o horário.

Em seguida, fomos caminhando em direção ao Vaticano, mas com passagem obrigatória pelo fabuloso Castel Sant’Ângelo, que atualmente abriga um museu mas no passado serviu de residência papal. Não entramos no castelo por causa do horário para chegar na Praça São Pedro (e também porque o ingresso custava € 14 e tinha ouvido falar que a visita não valeria tanto a pena).

Ponte Sant’Angelo (Pons Aelius)

Em frente ao castelo ficam vários ambulantes vendendo souvenirs da cidade, oportunidade em que comprei um pequeno busto de mármore do Imperador Augusto por valor bem menor que nas lojinhas oficiais.

Castel Sant‘ Angelo

Caminhando à esquerda do castelo já é possível avistar a Basílica de São Pedro ao fundo, no término de uma longa avenida em que só transitam pedestres quando há eventos importantes no Vaticano, chamada de Via della Conciliazione.

Via della Conciliazione

Ao final dessa longa avenida está a esplendorosa Praça de São Pedro, projetada por Bernini em formato de ferradura e cercada por enormes semicírculos, cada qual com quatro fileiras de colunas. Aos domingos, tanto a praça quanto o entorno ficam lotados em razão da tradicional palavra que o Papa transmite ao mundo.

Embora seja uma praça pública, a entrada não é absolutamente livre. Há cercas na entrada e todos os visitantes precisam virar à direta, embaixo das colunatas, para que passem por um rigoroso protocolo de segurança. E digo rigoroso mesmo: passagem por máquina de raio-x, abertura de mochilas e até revista pessoal em caso de alguma suspeita. Justifica-se a preocupação com segurança por conta da multidão que se aglomera no local, visto que alguém poderia desencadear algum ato terrorista ou algo semelhante.

Controle de segurança no Vaticano
Praça de São Pedro em um domingo de Angelus

Então fica a dica: chegue cedo para ver o Angelus com o Papa aos domingos, pois a praça fica sempre lotada e os procedimentos de segurança podem demorar. Além do que, o Papa aparece pontualmente ao meio dia na sua janela.

Também vale lembrar outro detalhe muito importante: definida a data da sua viagem, consulte no site oficial da Santa Sé a agenda do Papa, pois se estiver em viagem internacional consequentemente não haverá a tradicional oração de domingo.

Passamos pela segurança e entramos na praça faltando uns 20 minutos para o início do Angelus. Nesse tempo, ficamos apreciando a beleza do local e conversando com alguns peregrinos que vem do mundo todo e são muito simpáticos.

Faltando 5 minutos para o meio dia, começaram as batidas dos sinos na Basílica de São Pedro, anunciando que em instantes o Papa falaria ao mundo. E ao meio dia em ponto o querido Papa Francisco apareceu na janela da biblioteca, acenando para a multidão. Embora a famosa janela fique bem distante, há 2 telões enormes na praça que transmitem a imagem do pontífice.

Papa Francisco no Angelus, em 2017

O Angelus é uma palavra rápida, que dura cerca de 20 minutos. Ao final o Papa agradeceu a todos os presentes, pediu orações por ele e se despediu. A partir desse momento, aos poucos a praça começa a se esvaziar, embora a saída demore um pouco pela quantidade de pessoas. Recomendo aguardar na praça até que o fluxo na saída diminua, o que pode garantir algumas fotos mais legais.

Praça de São Pedro, no Vaticano

Saímos da praça e fomos almoçar. Há várias opções de restaurantes e lanchonetes no entorno do Vaticano, com preços bem justos.

Voltamos caminhando até o Castelo Sant’Ângelo, passamos pela ponte Umberto I e chegamos ao belo Palazzo di Giustizia, que é a sede da Corte Suprema di Cassazione, equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro. O prédio inteiro é revestido em travertino calcário e na fachada há estátuas de vários juristas notáveis.

Corte Suprema di Cassazione

Continuamos a caminhada e chegamos ao Museo dell’Ara Pacis (Museu da Ara Pacis), um moderno museu inaugurado em 2006 que abriga peças históricas importantíssimas para Roma. “Ara Pacis” significa altar da paz, que é o principal monumento exposto nesse museu. O altar foi dedicado pelo Imperador Augusto à deusa Paz para celebrar o período de paz romana, iniciada após a sua vitória em Hispânia e Gália (o período durou do ano 28, com Augusto, até o ano 180, com Marco Aurélio).

O altar representa o período de paz e prosperidade vivido durante a Pax Romana, retratando a alegria dos cidadãos oferecendo sacrifícios aos deuses ou usando coroa de louro, símbolo de vitória. Por ser bastante moderno, o museu tem instalações com vídeos explicativos de todo o altar, assim como das obras de restauração e recentes descobertas.

Ara Pacis
Ara Pacis
Ara Pacis

O preço do ingresso para esse museu é inusitadamente caro para a visita que oferece, custando € 10,50. Creio que deva ser a forma de reaver o investimento realizado por ser recente. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 9h30 às 19h30. Não considero esse museu uma atração obrigatória em Roma, sendo mais recomendado para quem conhece um pouco mais a fundo a história do Império Romano.

Saindo do museu, fomos caminhando até a Praça Espanha, uma das praças mais famosas da cidade. A Piazza di Spagna é uma bela praça projetada por Bernini, com a Fontana della Barcaccia ao centro e a famosa escadaria de 135 degraus que leva até a Igreja Trinità dei Monti. A escadaria é ponto de encontro na cidade, em que as pessoas sentam para descansar, tomar sol e conversar.

Piazza di Spagna
Fontana della Barcaccia, Piazza di Spagna
Piazza di Spagna

E o entorno da praça é famoso por abrigar as lojas de marcas de luxo, o que a tornou conhecida como o centro de compras de luxo da cidade (mas também há lojas de outras redes, tais como a tradicional H&M, famosa rede de varejo da Europa, Zara, Nike, GAP, dentre outras).

Piazza di Spagna
Piazza di Spagna

Dica: nessa praça fica localizado o Pompi Tiramissu, considerado o melhor da cidade! Experimentamos o delicioso tiramissu do Pompi, que na época custou € 4, e o restante do dia deixamos para fazer algumas comprinhas.

Durante o dia percebi que o comparecimento ao Angelus tomou bastante tempo, então evite colocar muitas atrações nesse mesmo dia porque ao final vai acabar se frustrando por não conseguir cumprir o roteiro.

No fim da tarde, voltamos ao hostel, descansamos e de noite fomos passear pelo tradicional bairro de Trastevere. Infelizmente, por ser de noite e as ruas pouco iluminadas, não consegui fotos legais do bairro. Mas há inúmeras opções de restaurantes no local, e a culinária italiana dispensa qualquer comentário. Jantamos um delicioso prato no restaurante Carlo Menta e depois voltamos ao hostel

Culinária italiana

Dia 4 – Vaticano: Praça de São Pedro, Museus Vaticano, Capela Sistina e Basílica de São Pedro

O quarto dia de viagem foi dedicado integralmente ao Vaticano. Então adiante seguem informações sobre como visitar os Museus do Vaticano, a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro, incluindo dicas sobre a melhor época para ir e de como evitar filas.

A cidade do Vaticano é uma cidade-estado dentro de Roma, famosa por ser a residência oficial do Papa e, portanto, sede da Igreja Católica Romana. Como um país independente, o Vaticano tem a sua própria polícia, correios e cidadãos com passaporte.

Muitos católicos e não católicos vão ao Vaticano para tentar ver o Papa e conhecer esse importante local sagrado, o que lhe garante a posição de uma das atrações mais disputadas de Roma.

Também é importante mencionar que a entrada na Basílica de São Pedro é gratuita, embora tenha uma fila gigantesca que se forma no entorno da Praça de São Pedro. Contudo, para entrar nos Museus do Vaticano é necessário adquirir ingresso, conforme será explicado mais adiante.

Praça de São Pedro

Regra de vestuário: para entrar na Basílica de São Pedro, ou na Capela Sistina, todos os visitantes devem ter os joelhos e ombros cobertos. Se não estiver dentro da regra de vestimenta, você será recusado nas entradas.

Para chegar ao Vaticano é bem tranquilo. Se você estiver hospedado pelo centro histórico ou na região da Estação central Roma Termini, a forma mais fácil é pegar o metrô que oferece duas paradas próximas: Cipro ou Ottaviano.

A estação Cipro é a parada mais próxima da entrada dos museus. Já a estação Ottaviano é mais útil quando a multidão aumentar durante o dia. Por ser um dos destinos mais populares na cidade, a entrada dos museus pode ter fila de quase 1 km, então se for chegar mais tarde a melhor será a estação Ottaviano.

Quanto tempo é necessário para visitar o Vaticano? A resposta vai depender dos seus interesses pessoais e de quando planeja ir. Os museus estão abertos todos os dias, exceto aos domingos (dia de Angelus), das 9h às 18h, com a última entrada às 16h.

Os dias em que há mais volume de visitantes são aos sábados e segundas-feiras. Se a sua intenção for só ver os museus, provavelmente não exigirá tanto tempo. Por outro lado, se a ideia é explorar mais áreas como a Basílica e a Praça, poderá ficar o dia inteiro. Então seguem abaixo demonstrativos de horários de pico:

  • Museus do Vaticano: 2-3 horas para as principais atrações
  • Capela Sistina: 1-2 horas para fila, caminhada e visita
  • Basílica de São Pedro: 1-2 horas para a igreja principal
  • Grutas do Vaticano: 2-3 horas para os principais locais

Eu sou suspeito para falar sobre isso, mas seria possível, facilmente, passar uns 3 dias apreciando todos os detalhes dos Museus do Vaticano, que mesmo após eu conhecer vários outros museus, inclusive o Louvre, continuam sendo os meus favoritos!

A entrada para os museus não é pela Basílica, como muitos pensam. Chegando na Praça de São Pedro, vire à direita e siga reto, sempre margeando os muros do Vaticano, até chegar na Viale Vaticano e então vire a esquerda que já vera a fila (na prática, basta ir seguindo o fluxo ou perguntar para alguém).

Entrada dos Museus do Vaticano

Há várias formas de adquirir os bilhetes para os museus: comprar na hora, online ou por agências.

Dica essencial: como já deve ter percebido, os museus são uma atração bastante concorrida, então comprar os ingressos de forma antecipada é a melhor opção para furar a imensa fila de entrada!

Mas atenção ao pesquisar por ingressos online, pois há vários sites que os oferecem com outros custos embutidos, que chegam a dobrar o valor do ticket regular. Então o mais recomendado é entrar no site oficial dos Museus do Vaticano para a aquisição.

Em 2017 eu comprei o bilhete por € 16, e pesquisando na data deste post verifiquei que o valor está € 17. Comprando online, há uma taxa de conveniência de € 4, que vale muito a pena quando você chegar e ver o tamanho da fila.

Durante a primavera e o verão, os museus abrem suas portas no período noturno, das 19h às 23h, oferecendo a chance de visitação depois do anoitecer. Porém, esse serviço está disponível apenas nas noites de sexta-feira e dizem ser muito difícil conseguir esse ingresso noturno, pois exige muita antecedência.

Comprando o ingresso antecipado, o site exigirá que você indique a data e escolha um horário de entrada (10h, 10h15, 10h30 e assim por diante). No dia da visita, chegue com 20 minutos de antecedência, na entrada apresente seu ticket acompanhado do passaporte e estará liberado para passar pelos procedimentos de segurança.

Importante: no último domingo do mês a entrada para os museus é gratuita. A entrada livre também é concedida no Dia Mundial do Turismo (27 de setembro). Contudo, exigirá paciência para o tamanho da fila e pelo tumulto durante a visita.

Ao passar pela entrada e chegar no controle de segurança eu fiquei absolutamente surpreso com a estrutura. Imaginava que seria um local mais velho ou maltratado, mas me enganei redondamente: conforme demonstra a foto abaixo, os museus são extremamente bem conservados e contam com ótima infraestrutura!

Há um rígido controle de segurança para entrar, então evite ao máximo levar muita coisa. Além de observar as regras de vestuário, é proibida a entrada com alimentos ou bebidas. Celular precisa ficar em modo avião e não são permitidas fotos com flash.

Controle de segurança dos Museus do Vaticano

Ao entrar efetivamente nos museus, você pode se perder com a quantidade de direções e opções, mas a parte boa é que tudo é muito bem sinalizado. Então é fundamental pegar seu mapa disponibilizado após o controle de segurança!

Há MUITA COISA para ver nos Museus do Vaticano! É muito fácil ficar impressionado e não daria para trazer tantos detalhes aqui, por isso vou trazer as exposições que são mais famosas. Futuramente eu faço um post mais completo, tratando apenas dos museus e seus detalhes.

Assim que entrar nos museus, você chegará em uma área externa chamada de Pátio da Pinha (Cortille della Pigna). A primeira coisa que notará nesse local será uma esfera de bronze gigante, construída em 1990 por Arnaldo Pomodoro. Embora seu significado seja desconhecido, muitos acreditam que essa esfera representa o Cosmos.

Cortille della Pigna

Caminhando para as áreas internas, chega-se no magnífico Pátio Octogonal. A obra de arte mais impressionante deste pátio é o Apollo de Belvedere, que era o deus grego da caça. Muitos estudiosos consideram essa como a escultura mais perfeita e simétrica do mundo!

Apollo de Belvedere

Acredita-se que essa representação do Apollo de Belvedere tenha sido criada por volta do ano 120. Também nessa sala estão as estátuas de Perseu Triunfante e de Laocoonte (o homem que tentou avisar os troianos para não aceitarem o cavalo de madeira como presente dos gregos), e vários sarcófagos.

Deus do Rio Nilo, Museus do Vaticano
Perseu Triunfante, Museus do Vaticano

Caminhar pelos corredores dos museus é perder-se em cada detalhe das paredes, do chão ou do teto. Abaixo, segue demonstração do nível de realismo de uma pintura no teto e outra retratando a beleza do teto de um longo corredor.

Detalhe do teto, Museus do Vaticano
Museus do Vaticano
Galeria dos Mapas, Museus do Vaticano

Outra escultura importante abrigada pelos museus é o Torso Belvedere, um fragmento criado pelo escultor grego Apolônio. Representando o ideal masculino da Grécia antiga, o fragmento suscita várias interpretações, principalmente por representar Hércules.

Torso do Belvedere

A continuação da visita incluiu (i) o Quarto Redondo, que no seu centro tem uma espécie de banheira grande que supostamente pertenceu a Nero, (ii) a Galeria dos Candelabros, com estátuas em mármore, (iii) as Salas de Rafael, que exibem pinturas de Rafael e seus alunos, (iv) os Museus Egípcios Gregorianos, em que estão múmias, sarcófagos e estátuas de faraós, rainhas e deuses, dentre outras instalações.

Especificamente nas Salas de Rafael está a pintura mais impressionante que já vi pessoalmente, seja pelo seu tamanho, seja pela sua importância. Trata-se da famosa Escola de Atenas, que retrata as relações entre filosofia, poesia, teologia e direito. A interpretação dessa pintura custaria um post inteiro, mas apenas a título de nota ressalto que ao centro estão retratados Platão e Aristóteles, sendo que o primeiro aponta para cima, indicando o seu “mundo das ideias”, enquanto o segundo aponta para baixo, indicando o mundo real e sensível. Também estão representados Sócrates, Diógenes, Ptolomeu, dentre vários outros intelectuais gregos.

Escola de Atenas, Museus do Vaticano

O término da visita é em um saguão bem grande, com sanitários e loja de lembrança. Nesse local, está a famosa escada em espiral. Alguns visitantes identificam o formato dessa escada com a forma do DNA, mas a ideia original do seu autor parece não ter sido essa. Também é conhecida simplesmente como Escadaria do Caracol.

Museus do Vaticano

Após várias horas de caminhada em inúmeras salas, a visitação acaba na memorável Capela Sistina, a última etapa antes de entrar na basílica. E se você é apreciador de arte, prepare seu coração: a capela é absurdamente linda!

É nesta capela que acontece o conclave papel, processo de escolha do novo Papa. E sua fama se dá pelos afrescos que adornam o teto e as paredes, pintados por Michelangelo. Os afrescos nas paredes retratam momentos da vida de Moisés, Jesus, passagens de Gênesis e dos antecessores de Cristo.

O local fica lotado durante a visitação e é expressamente proibido tirar fotos (prepare seus ouvidos para ouvir os seguranças gritando: “No photo, no photo”). Mas os visitantes sempre tiram uma foto ou outra para recordação, como essas que seguem abaixo, principalmente o detalhe do teto mais famoso do mundo que retrata Deus e o homem no momento da criação.

Capela Sistina, Vaticano
Capela Sistina, Vaticano

Esse detalhe tão famoso retrata no centro os dedos indicadores de Deus e de Adão, com um pequeno espaço no meio. Nota-se que o braço de Adão está dobrado e o seu dedo caído, demonstrando a fraqueza do homem, em oposição à postura de Deus, que é representado com o braço esticado e o dedo estendido, realçando o poder criador.

É muito emocionante estar no recinto em que são escolhidos os Papas e apreciar toda aquela obra de arte na estrutura da capela. Eu fiquei aproximadamente 1 hora no local, olhando as pinturas e ouvindo o áudio-guia disponibilizado na entrada e que contém explicações bem interessantes.

Saindo da Capela Sistina o visitante já é direcionado para a o interior da Basílica de São Pedro. A igreja sede do catolicismo dispensa maiores comentários a respeito da sua beleza e grandiosidade.

A nave central é onde está o corpo principal da igreja, ressaltando-se que Carlos Magno e outros imperadores foram coroados na esfera vermelha localizada no início desta nave. Para ter ideia da altura da igreja, a Estátua da Liberdade caberia no seu interior!

Olhando para cima, no entorno da cúpula há frases escritas. O lado sul declara: “Eu orei por você, Pedro, para que sua fé nunca falhe; e você, por sua vez, deve fortalecer seus irmãos”. No lado norte consta: “Confiarei a você as chaves do reino dos céus. Tudo o que você declarar preso na terra será preso no céu, e tudo o que você declarar solto na terra será solto no céu”.

Basílica de São Pedro, Vaticano

Em uma parte da lateral direita da basílica está a conhecida Pieta, obra esculpida por Michelangelo que retrata Maria com Jesus morto em seus braços. É um local disputado e protegido por uma grossa camada de vidro que dificulta as fotos, mas mesmo à distância a escultura é linda.

Pieta, de Michelangelo

No centro da basílica estão o altar papal e o Baldaquino, local onde o Papa celebra as missas. Essa incrível estrutura arquitetônica, feita em bronze e com 30 metros de altura, foi criada por Bernini em virtude do tesouro que está localizado logo abaixo dela: a tumba de São Pedro.

Baldaquino da Basílica de São Pedro, Vaticano

Após visitar o interior da basílica, é possível subir na sua cúpula que além de ser a mais alta cúpula cristã do mundo é um dos melhores lugares para visualizar Roma do alto!

A subida para a cúpula exige ticket extra, oferecido da seguinte forma: elevador mais escada, em que o elevador leva até o terraço e a partir desse ponto há uma escada com 320 degraus para chegar no topo. Esse ingresso custa € 10. Também há a opção de encarar só as escadas, com um total de 551 degraus e ticker por € 8.

No início, a escada é larga e espaçosa, mas conforme vai subindo e se moldando ao formato da cúpula da basílica, a escada fica estreita e inclinada, o que causa uma sensação muito ruim. Por essa razão, a subida é contraindicada para cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida, claustrofóbicos e hipertensos.

Mas se você não em contraindicações, a subida é super recomendada, afinal não é todo dia que se sobe numa escada projetada por Bernini.

Escadas até a Cúpula da Basílica de São Pedro, Vaticano
Cúpula da Basílica de São Pedro, Vaticano

A vista a partir do topo da cúpula da basílica é incrível, pois é possível ver perfeitamente o formato da Praça de São Pedro e como a cidade é plana, sem edifícios muito altos que pudessem contrastar com as atrações históricas.

Praça de São Pedro, Vaticano

A descida leva novamente ao interior da basílica e os visitantes saem pela sua porta da frente. Na praça ficam vigiando as entradas da igreja os conhecidos membros da Guarda Suíça, que é a guarda pessoal do Papa, com seus conhecidos uniformes desenhados por Michelangelo e mantidos até os dias atuais.

Membros da Guarda Suíça, Vaticano

A visita foi finalizada com a saída para a Praça de São Pedro, com o sol já se pondo no horizonte e esse jovem sonhador com o sorriso de orelha a orelha por conhecer esse local que tanto ansiava.


Dia 5 – Foro di Nerva, Foro di Augusto, Igreja de Santo Ignácio de Loyola, Museus Capitolinos, Campo di Fiori, Praça Navona e Panteão

O quinto dia permitimos começar um pouco mais tarde do que o habitual, pois a visita ao Vaticano no dia anterior, principalmente a subida até a cúpula da basílica, exigiu bastante energia.

Em torno das 10h, descemos em direção à região do Coliseu, em que tomamos café e seguimos para a área localizada na saída do Foro Romano, onde estão localizados o Foro di Nerva e o Foro di Augusto.

O Fórum de Augusto é um dos fóruns imperiais da cidade, cuja construção ficou incompleta. A principal finalidade do Imperador Augusto era construir um templo dedicado a Marte, o deus da guerra. Também seriam instaladas outras funções do império, pois o Foro Romano já estava lotado. Contudo, com a posterior conclusão do Fórum de Trajano, muitas funções foram transferidas para lá, indicando a subutilização da estrutura idealizada por Augusto.

Foro di Augusto

Já o Fórum de Nerva foi o menor e último fórum imperial de Roma, também denominado de “fórum transitório”, por estar localizado entre outros fóruns imperiais. No local, havia um templo dedicado à deusa Minerva. Mas com a queda do Império Romano, a construção acabou virando um charco.

Foro di Nerva

Tecnicamente, não existe uma visitação ou compra de ingressos para esses dois fóruns, pois ficam localizados na via pública e podem ser vistos livremente.

Caminhando adiante, passamos pela Piazza Venezia e chegamos na famosa Igreja de Santo Inácio de Loyola. O lema ao visitar essa igreja é “olhe para cima e surpreenda-se”. E isso porque há vários efeitos de ilusão de ótica no teto dessa igreja!

Inácio de Loyola foi o fundador da Companhia de Jesus, a conhecida irmandade dos jesuítas do Papa Francisco e dos colonizadores do Brasil.

Conta a história que não havia muito dinheiro disponível para a construção dessa igreja, principalmente para a construção de cúpulas monumentais. Então a questão foi resolvida por um artista chamado Andrea del Pozzo, que conseguiu criar uma pintura tridimensional que dá a ilusão de enxergar uma cúpula.

Chiesa di Sant’Ignazio di Loyola in Campo Marzio

É incrível entrar na igreja e ir caminhando em direção ao altar olhando para o alto, pois realmente dá a impressão de que há uma cúpula no alto! Se atualmente essa técnica de pintura ainda impressiona, imaginemos no ano 1685 o que não gerava em seus visitantes.

Mas além da cúpula, assim que você entrar na igreja logo dá de cara com um espelho no meio do caminho e inclinado para cima. Várias pessoas ficam circulando o espelho, abaixo, entortando a cabeça. É então que você olha pra cima é enxerga a incrível Apoteose de Santo Inácio pintada pelo mesmo artista ao longo de todo o teto da igreja, também usando a técnica de perspectiva.

Apoteose de Santo Inacio, Andrea Pozzo

O mais incrível dessa pintura são as colunas pintadas em perspectiva em um teto que é reto, dando a ilusão de que sobem em direção ao céu! Simplesmente incrível, e justamente para evitar o torcicolo de ficar olhando para o alto que está instalado um espelho inclinado no meio da nave da igreja.

A visita é totalmente gratuita, sendo que a igreja permanece aberta de segunda à sexta, das 7h30 às 19h, e aos sábados e domingos das 9h às 19h. Vale muito a pena!

Saímos da igreja, tomamos um delicioso gelato de pistache no caminho e fomos até o Monte Capitolino, onde estão localizados os prédios da Prefeitura de Roma, a Piazza del Campidoglio e os Museus Capitolinos.

A Praça do Capitólio foi projetada por Michelangelo e no seu centro está instalada a conhecida estátua equestre do Imperador Marco Aurélio, que é uma réplica, pois a original está exposta dentro dos museus. Já os Museus Capitolinos são tidos como os museus mais antigos do mundo, abrigando pinturas e esculturas de artistas renomados, a exemplo da “Loba Capitolina” que representa o mito de fundação da cidade de Roma pela loba amamentado os gêmeos Rômulo e Remo. O ingresso para os museus custa € 14.

Piazza del Campidoglio

Aos sairmos do Monte Capitolino, seguimos andando até o agradável Campo di Fiori. Nos tempos medievais e durante o Renascimento, esse era um dos locais mais agitados da cidade, onde nobres romanos ricos e cardeais do Vaticano se misturavam com peixeiros a agricultores para conseguir frutas, legumes e verduras frescos.

Durante a Inquisição, essa praça também foi utilizada para as execuções. No centro da praça há uma estátua com capuz, que é do controverso filósofo Giordano Bruno, queimado na fogueira em 1600 por heresia ao sugerir que a Terra se movia ao redor do sol (vejam só!).

Campo di Fiori

Atualmente, a praça é um local bem mais tranquilo, gostoso de caminhar e sentir os aromas. As cores e os cheiros o mercado existente no local colocam os sentidos em nível máximo, pois é cercado por floristas, queijarias e vendedores de vinho, salame, presunto e temperos.

Entretanto, por ser um local bastante tradicional e os produtos artesanais, os preços não são muito convidativos. Mas vale a pena conhecer, sendo que o mercado permanece aberto de segunda à sábado, das 8h às 14h.

Campo di Fiori

Bem próximo do Campo di Fiori está localizado o Panteão. Embora tivesse passado pelo Panteão no primeiro dia de estadia, tinha sido durante a noite e estava fechado.

O Panteão é um dos mais impressionantes pontos turísticos antigos de Roma! E a boa notícia é que não precisa de ingresso para visitá-lo, bastando chegar e entrar, pois por incrível que pareça não há filas na entrada.

Pantheon

Originalmente, ele foi construído como um templo para “todos os deuses” romanos (pan vem do grego “todos”, enquanto theos é o termo grego para “deuses”), feito de madeira, antes do nascimento de Cristo, pelo cônsul Marcus Agrippa (cujo nome continua estampado na fachada atual do Panteão). A estrutura de madeira foi completamente destruída no grande incêndio de Roma, sendo reconstruída 200 anos depois pelo Imperador Adriano, desta vez em tijolo, concreto e mármore, tal como podemos ver nos dias atuais.

Uma vez dentro do Panteão, basta maravilhar-se com o enorme teto abobadado e contemplar o Oculus: olho para o céu no teto desse templo que resistiu a terremotos, tempestades e guerras por 2.000 anos.

Oculus do Panteão

No século VII, o prédio foi transformado em uma igreja cristã. Também abriga o túmulo do artista Rafael e de Vittorio Emanuelle, o rei da Itália (chamado de Pai da Pátria).

Túmulo de Vittorio Emanuele, o Pai da Pátria

Saímos do Panteão e fomos até a Praça Navona, que também já tínhamos visitado durante a noite no primeiro dia. Embora Roma possa ser considerada como a cidade das praças, em minha opinião essa é uma das praças mais bonitas. E por coincidência nela está instalado o Consulado do Brasil!

Piazza Navona

Há vários artistas que ficam se apresentando na praça, além da imensa oferta de restaurantes e lanchonetes.

Já no fim da tarde, demos uma caminhada até a Fontana di Trevi, para vê-la durante a noite pela última vez nessa estadia maravilhosa na capital da Itália.

Fontana di Trevi
Pôr do sol em Roma

E assim chegávamos ao último pôr do sol na cidade eterna, com o coração apertado de que a estadia nesse lugar tão maravilhoso já estava acabando. Contudo, o último dia reservava fortes emoções, com um momento que jamais esquecerei na vida!


Dia 6 – Audiência Geral com o Papa Francisco no Vaticano

O último dia da estadia em Roma era destinado a um momento muito especial, que é a oportunidade de ver de pertinho o Papa na Praça de São Pedro, durante a audiência geral. Embora eu não seja católico, presenciar aquela multidão movida pela fé e aquelas palavras de esperança proferidas por alguém tão influente no mundo são experiências que ficam para sempre na memória.

Como ver o Papa no Vaticano? Basicamente, há duas formas. Primeiramente, aos domingos durante a oração do Angelus, em que o Papa aparece mais distante a partir de uma janela da biblioteca. Mas também há outra forma bem mais legal, em que é possível ver o Papa bem de perto: toda quarta-feira, às 10h30, há a audiência geral na Praça de São Pedro, momento em que ocorre aquela tradicional passagem do papamóvel no meio da praça. Claro, sempre com a advertência de consultar a agenda oficial da Santa Sé antes de planejar, pois no dia da sua visita o Papa pode estar em viagem internacional.

Ao pesquisar pela internet você vai encontrar dicas de como conseguir “convites para a audiência com o Papa”, inclusive com o envio de fax para a Santa Sé, aguardo do recebimento de carta pelo correios e outras burocracias. Nada disso é necessário!

Essa formalidade é destinada mais para quem viaja em grupo, ou com pessoas idosas que precisam garantir um bom lugar. E também porque, segundo informações, o limite de ocupação da audiência geral é de 3.000 pessoas, ficando barrada a entrada de pessoas após esse volume de participantes.

Praça de São Pedro durante audiência geral com o Papa

Por ocasião da audiência geral, a Praça de São Pedro inteira fica tomada de cadeiras de plástico, com pequenas divisões entre si por onde passará o papamóvel.

O horário oficial de início da audiência é às 10h30. Mas se você não tem aquele convite oficial que falei acima, chegue bem mais cedo, pois pode imaginar o quanto lota de gente e às vezes o Papa começa um pouco mais cedo.

Dica: no dia da audiência geral eu cheguei ao Vaticano às 8h, me dirigi ao controle de segurança sem qualquer tipo de convite, entrei na praça e procurei o lugar mais na frente possível, que também fosse perto de algum corredor existente entre as fileiras de cadeiras, pois é por onde o papamóvel circula.

Estava uma manhã agradável e ao meu redor tinham adolescentes de uma excursão alemã. Mas a praça fica repleta de pessoas de todos os lugares do mundo, o que deixa toda a atmosfera muito emocionante, mesmo para quem não é católico.

Havia um coral cantando belas músicas antes do início, seguido de sons instrumentais. Então de repente há o barulho como se fosse de uma fanfarra, que entra na praça e segue até a entrada da basílica. Logo em seguida, saindo da lateral da igreja, aparece o papamóvel com o Papa Francisco! Nos telões instalados na praça é possível acompanhar por onde ele está passando e ver se está chegando perto do seu local.

Papa Francisco

Nesse momento, as pessoas levantam das cadeiras e ficam aglomeradas nas beiradas dos caminhos deixados para o papamóvel passar. Há bandeiras, presentes, pessoas emocionadas e crianças que recebem toda a atenção do Papa Francisco, conforme a foto abaixo que consegui registrar.

Então na prática, todos tem a oportunidade de chegar um pouquinho perto do Papa durante a audiência geral. Repito que não sou católico, mas quando fiquei frente a frente com Francisco fiquei emocionado e nem sei explicar o porquê!

Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano

Enquanto o Papa transita pela praça, um clérigo fica no palco lendo uma listagem de todas as congregações e países que estão presentes na audiência. O trajeto do papamóvel termina na subida da basílica, sendo que todos ficam em silêncio e ele profere uma palavra. Em seguida, outros clérigos traduzem o que ele disse, inclusive para a língua portuguesa.

No final, todos são convidados a rezar a oração do Pai Nosso, em latim e o Papa dá a sua benção. Depois disso, novamente o Papa deu outra voltinha pela praça, mas não sei se essa segunda saída é praxe ou depende da situação.

Deslocamento do Papa Francisco ao final da audiência geral

Depois de encerrada a audiência, o Papa retornou ao palco para se despedir de alguns convidados e então desceu andando até a praça para falar com alguns cadeirantes que estavam em uma fileira logo a frente. Nesse momento, que é mais livre e sem o rigor da disciplina de quando o Papa está falando, as pessoas gritam pelo seu nome e ele acena, sendo super atencioso.

Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano

Como visto, não é difícil ver o Papa no Vaticano, bastando se planejar com antecedência e se emocionar com esse momento tão marcante.

Saindo da audiência, mais ou menos ao 12h, almocei no entorno do Vaticano e fui correndo para o hotel fazer check-out, pois às 13h50 tinha que estar na Estação central Roma Termini para embarcar para Florença.

E assim encerrei com chave de ouro o meu roteiro de 6 dias em Roma e no Vaticano, que foram suficientes para visitar todas as atrações com calma e sem pressa. Espero que seja bastante útil a quem esteja planejando uma viagem para a cidade eterna!

Agora que você conhece as principais atrações turísticas de Roma e do Vaticano, pode montar o seu roteiro da forma que melhor atenda as suas necessidades.


Se você gostou desse post ou conhece alguma dessas atrações, compartilhe sua experiência comigo e outros viajantes nos comentários.

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